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não me habituo com o hábito

é a segunda vez esta semana que desço para fumar um cigarro e alguém se aproxima para pedir alguma coisa. dinheiro da primeira vez. porque tinha fome. trabalho da segunda vez, porque queria cadernos.

"mãe, a mãe tem algum trabalho para eu fazer?" disse ele quando se aproximou. e eu já no hábito do não, imediatamente disse "não! só tenho tabaco comigo" ele insistiu "mãe, qualquer biscate serve e se a mãe não tiver dinheiro para me dar, não faz mal. dá só caderno para eu levar para a escola". eu não tenho trabalho para dar. e naquele momento, nem dinheiro comigo. só tabaco mesmo. insistiu novamente "mãe, e folhas A4? tem folhas A4 para eu levar para a escola?". afastou-se. ficou de costas para mim a abanar a cabeça e eu fiquei a observá-lo. magro, com umas pernas da grossura de um taco de basebol no máximo, ali estava ele a olhar para a opulência do edifício dourado e a abanar a cabeça. uns minutos depois benzeu-se (reconheci o sinal da cruz pelo movimento dos seus braço e o levar da mão junto aos lábios para a beijar) e seguiu caminho.

e os meus olhos humedeceram, reflectindo como espelhos a imagem de magreza daquele rapaz, a expressão de tristeza ou quase desespero que o rosto dele transmitia. e em mim ficou a decisão de não voltar a descer para fumar, sem 200 akz no bolso.

(sim, eu sei que muitos pedem por pedir, mas há sempre no meio de todos quem realmente precise)

há dias assim, dias em que não me habituo com o hábito de conviver com miséria.

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