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Radical

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Há pouco mais de um mês, li o livro Radical, de Maajid Nawaz, e o que sabia era apenas que relatava a vida de um inglês, muçulmano, que aderiu ao islamismo, foi preso e passou a ser uma voz contra o islamismo.

As minhas expectativas eram as de conhecer o percurso de alguém que esteve no centro do terror e mudou de opinião. Comecei a ler o livro com vários preconceitos construídos sobre a forma como a educação leva alguém a tal extremismo, sobre a forma como a sociedade é tolerante para as diferenças, sobre as virtudes dos valores da Europa, sobre o que é o Islão, o islamismo, o jihadismo, como se tocam e como se ligam.   

E logo nas primeiras páginas, encontrei isto sobre o livro ersículos Satânicos, de Salman Rushdie (1988), que valeu ao seu autor uma fatwa do aiatola Khomeini

Fiel ao seu espírito muito independente, Abi comprou o livro e leu-o para formar a sua opinião.
Na época, a minha convicção de que ela estava perigosamente do lado errado não precisou de mais confirmação. A reação de Abi foi classicamente liberal:
- Deixa-o escrever o seu livro. Se não gostares, escreve um contra ele. - Isto é Abi, sem tirar nem pôr.

Abi, é a mãe de Maajid. 

E assim começaram a cair por terra ideias pré-concebidas. Para logo depois começar a clarificar conceitos

Enquanto no Islão as disputas se centram na abordagem das pessoas à religião, o islamismo procura lidar com a abordagem das pessoas à sociedade.
(...)
Muito mais tarde, o islamismo influenciaria também os fundamentalistas religiosos. Isto deu origem a uma corrente militante (...). Logo, o jihadismo é a fusão da religião literalista com a política islamita.
(...)
Isto é crucial para se compreender o islamismo: não é um movimento religioso com consequências políticas, é um movimento político com consequências religiosas.

O que li foi a história de uma criança que se fez jovem numa família inglesa, de religião muçulmana, com uma educação liberal, numa sociedade que recebe mas não acolhe, não integra. Alguém que escolheu abandonar a família que o criou para aderir ao islamismo.

A história de um homem que se fez adulto com o islamismo, e que depois de se fazer velho na luta decidiu abandonar o islamismo e a nova família que construiu, para voltar à família que o criou e aderir ao Islão.

A história de um homem que foi extremista, na prática do islamismo, e hoje alerta o mundo para os perigos do extremismo, enquanto pratica o Islão.

Se não tiverem o que fazer, leiam. O pior que vos pode acontecer é ficar com um pouco mais de informação para construírem a vossa opinião.

Regaleira | Um lugar de mil estórias

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#78

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